terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Os Alentejanos




O ORGULHO DE SER ALENTEJANO
D. Nuno Álvares Pereira, aliás, já tinha percebido isso. Ou seja, muitos portugueses e poucos alentejanos. Caso contrário, não teria partido tão confiante para Aljubarrota. D. Nuno sabia bem que uma batalha não se decide pela quantidade mas pela qualidade dos combatentes. É certo que o Rei de Castela contava com um poderoso exército composto por espanhóis e portugueses, mas o Mestre de Avis tinha a vantagem de contar com meia-dúzia de alentejanos. Não se estranha, assim, a resposta de D. Nuno aos seus irmãos, quando o tentaram convencer a mudar de campo com o argumento da desproporção numérica: «Vocês são muitos? O que é que isso interessa se os alentejanos estão do nosso lado?»

Mas os alentejanos não servem só as grandes causas, nem servem só para as grandes guerras. Não há como um alentejano para desfrutar plenamente dos mais simples prazeres da vida. Por isso, se diz que Deus fez a mulher para ser a companheira do homem. Mas, depois, teve de fazer os alentejanos para que as mulheres também tivessem algum prazer. Na cama e na mesa, um alentejano nunca tem pressa. Daí a resposta de Eva a Adão quando este, intrigado, lhe perguntou o que é que o alentejano tinha que ele não tinha: «Tem tempo e tu tens pressa.» Quem anda sempre a correr, não chega a lado nenhum. E muito menos ao coração de uma mulher. Andar a correr é um problema que os alentejanos, graças a Deus, não têm. Até porque os alentejanos e o Alentejo foram feitos ao sétimo dia, precisamente o dia que Deus tirou para descansar.

E até nas anedotas, os alentejanos revelam a sua superioridade humana e intelectual. Os brancos contam anedotas dos pretos, os brasileiros dos portugueses, os franceses dos argelinos... só os alentejanos contam e inventam anedotas sobre si próprios. E divertem-se imenso, ao mesmo tempo que servem de espelho a quem as ouve.

Mas para que uma pessoa se ria de si própria não basta ser ridícula porque ridículos todos somos. É necessário ter sentido de humor. Só que isso é um extra só disponível nos seres humanos topo de gama.

Não se confunda, no entanto, sentido de humor com alarvice. O sentido de humor é um dom da inteligência; a alarvice é o tique da gente bronca e mesquinha. Enquanto o alarve se diverte com as desgraças alheias, quem tem sentido de humor ri-se de si próprio. Não há maior honra do que ser objecto de uma boa gargalhada. O sentido de humor humaniza as pessoas, enquanto a alarvice diminui-as. Se Hitler e Estaline se rissem de si próprios, nunca teriam sido as bestas que foram.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Monte do Paio - Reserva Natural das Lagoas de Santo André e da Sancha











A Reserva Natural das Lagoas de Santo André e da Sancha localiza-se no sudoeste de Portugal, no Distrito de Setúbal, região do Alentejo, ocupando parte da costa dos municípios de Sines e de Santiago do Cacém. A Reserva estende-se ao longo de uma faixa litoral de 16 Km, incluindo um sector terrestre de largura variável de 2 Km a 3 Km, e um sector marinho com 1,5 Km de largura definido a partir da linha da costa. A superfície total é ocupada é de 5.247 ha, dos quais 3.110 ha correspondem à parte terrestre e 2.137 ha correspondem à parte marinha.

A Reserva inclui duas Lagoas Costeiras - Lagoas de Santo André e da Sancha - e um sistema de pequenas lagoas de água doce formadas em depressões dunares ("Poços"). Estas Lagoas são exemplos de lagoas costeiras de tipo mediterrânico, um dos tipos de zonas húmidas mais vulneráveis
O Monte do Paio, na Costa de Sto. André, em plena Reserva Natural das Lagoas de Santo André e da Sancha (RNLSAS), é um espaço que, em tempos não muito longínquos, constituía um centro de animação e convívio local. Assim, procurou-se trazer novamente a este espaço não só aqueles que em tempos dele usufruíram mas também os mais novos, de forma a recriar/ potenciar afectos.
Informação copiada do portal ICNB (Conservação da Natureza & Biodiversidade)
Reserva Natural das Lagoas de Santo André e da Sancha

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

O MAR - POEMA




Passei o Dia Ouvindo o que o Mar Dizia
Eu ontem passei o dia
Ouvindo o que o mar dizia.

Chorámos, rimos, cantámos.

Falou-me do seu destino,
Do seu fado...

Depois, para se alegrar,
Ergueu-se, e bailando, e rindo,
Pôs-se a cantar
Um canto molhado e lindo.

O seu hálito perfuma,
E o seu perfume faz mal!

Deserto de aguas sem fim.

Ó sepultura da minha raça
Quando me guardas a mim?...

Ele afastou-se calado;
Eu afastei-me mais triste,
Mais doente, mais cansado...

Ao longe o Sol na agonia
De roxo as aguas tingia.

«Voz do mar, misteriosa;
Voz do amor e da verdade!
- Ó voz moribunda e doce
Da minha grande Saudade!
Voz amarga de quem fica,
Trémula voz de quem parte...»
. . . . . . . . . . . . . . . .

E os poetas a cantar
São ecos da voz do mar!

António Botto, in 'Canções


domingo, 31 de janeiro de 2010

Castelo de Vila Nova Milfontes


Castelo de Milfontes
Foi edificado entre os anos de 1599 e 1602, devido a um período de forte assédio corsário à vila.
A sua construção teve como objectivo proteger a costa alentejana, de corsários e piratas, especialmente aqui na entrada do Rio Mira. Tendo sido interrompidas as obras do Pessegueiro o engenheiro napolitano Alexandre Massai na altura ao serviço da Coroa deslocou-se para aqui, tendo finalizado a obra em 1602 no reinado de Filipe II. O acesso ao forte era feito por ponte levadiça, que terá deixado de funcionar talvez antes dos meados do século XVIII.
Cercado por norte e nascente, por uma cava ou fosso, era este limitado exteriormente por contra-escarpa, se estendia uma estrada coberta, acessível a partir do fosso por escada de pedra já desaparecida. O muro que hoje rodeia o fosso do castelo e que forma os miradouros da Barbacã é o que resta dessa antiga fortificação exterior. Foi a partir de 1939 e depois de mudar de mãos restaurado tendo passado a servir hotel como Turismo de Habitação. Recebeu classificação de “imóvel de interesse público” pelo decreto 95/78, de 12 de Setembro.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Castelo de Sines




CASTELO DE SINES
O castelo medieval
À época da Reconquista cristã da península Ibérica, a região foi conquistada por D. Sancho I (1185-1211) entre o final do século XII e o início do século XIII. O seu filho e sucessor, D. Afonso II (1211-1223) fez a doação dos domínios de Sines aos cavaleiros da Ordem de Santiago. A povoação de pescadores recebeu Carta de Foral de D. Pedro I (1357-1367) em Novembro de 1362, desligando-se de Santiago do Cacém, com a determinação da edificação de uma fortificação. Sem que a mesma tivesse se materializado, e sendo esse trecho da costa tradicionalmente assolado pelas razias de corsários, visando prover à defesa da vila, D. João I (1385-1433) isentou os seus moradores do serviço militar nas campanhas da fronteira (1395).
O castelo foi erguido, de raiz, apenas em 1424, por solicitação do procurador do povo, Francisco Neto Chainho Pão Alvo. Foi seu Alcaide-mor, mais tarde, Estêvão da Gama, pai do navegador Vasco da Gama, que aqui teria nascido em 1469.
Sob o reinado de D. Manuel I (1495-1521), a povoação recebeu o Foral Novo (Julho de 1512), fase em que passou por extensas obras de modernização e ampliação, visíveis na estrutura das torres no lado Oeste e na janela do Palácio do Alcaide-mor.
Da Dinastia Filipina aos nossos dias
Com a implantação da Dinastia Filipina no país ao final do século XVI, redobram as ameaças à costa portuguesa. No início do século XVII, o litoral sul do país foi vistoriado pelo engenheiro-militar e arquitecto napolitano Alexandre Massai (1614), que propõs a reedificação da fortificação de Sines, adaptando-a às novas necessidades bélicas, o que não se concretizou. Nesta época já se encontra referida uma pequena bateria exterior, cobrindo o flanco Sul com planta aproximadamente estrelada, inicia-se o Fortim de Nossa Senhora das Salvas e dois fortes para cooperarem na defesa da ilha do Pessegueiro (Forte do Pessegueiro).
À época da Guerra Peninsular, tropas napoleônicas saqueiam a vila, picando a pedra de armas com o brasão real que encimava o portão de armas do castelo.
Quando das Guerras Liberais, após a Concessão de Évora Monte (26 de Maio de 1834) foi de Sines que D. Miguel (1828-1834) embarcou para o exílio (Julho de 1834).
Encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público desde 24 de Junho de 1933. A ação do poder público, entretanto, só se fez sentir em 1956, através de intervenção de consolidação e restauro parcial, a cargo da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN). Novos danos se registraram, entretanto, em sua estrutura, causados pelo terramoto de 1969.
Com a elevação de Sines a cidade, a 12 de Julho de 1997, foram procedidos trabalhos mais abrangentes em seu monumento, entre 1998 e 2001, numa parceria entre a DGEMN e a Câmara Municipal de Sines, procedendo-se a recuperação e consolidação de panos exteriores das muralhas e a beneficiação de algumas zonas do seu interior.
Mais recentemente, a Câmara Municipal de Sines promoveu concurso público para a elaboração de projecto de arranjo dos espaços exteriores adjacentes, visando valorizar o seu entorno. A Torre de Menagem, onde se acredita ter nascido o navegador português Vasco da Gama (1469), abriga actualmente o Museu de História Natural de Sines.
Investindo na sua vocação turística, a cidade e seu castelo (reputado como um dos melhores recintos para espectáculos ao ar livre do sul do país), recebem, a cada ano, no último fim de semana do mês de Julho, o Festival Músicas do Mundo.
Características
O castelo apresenta uma área de apenas cerca de meio hectare, uma vez que, à época de sua tardia construção, a povoação já estava definida. Apresenta planta trapezoidal irregular, reforçado por três torreões, dois de planta poligonal nos ângulos da fachada Norte e uma torre de planta circular no vértice Sudoeste.
A Torre de Menagem ergue-se a Noroeste, dividida internamente em três pavimentos. O seu alçado voltado para a vila é rasgado por três janelas, a superior dupla e mainelada, acredita-se que ainda contemporânea da época da construção.
Na praça de armas, a Oeste, junto aos dois torreões e à porta principal, identificam-se as ruínas do Paço dos Alcaides, onde, segundo a tradição, Vasco da Gama teria nascido. Embora se desconheça a sua configuração original e a sua posterior evolução arquitectónica, sabe-se que se erguia em dois pavimentos.

Santiago do Cacém

Vila Nova Milfontes